Manual de Sobrevivência em um Apartamento
06/25/2011
Pra quem morou em casa por mais de 28 anos, mudar para um apartamento pode trazer muitas novidades. No nosso caso, a adaptação foi super tranquila – aliás essa foi a pergunta que mais ouvi nos últimos meses – mas existem algumas coisas que eu não pude deixar de notar. Para os que moraram a vida inteira em apartamento, talvez sejam coisas completamente normais mas, mesmo no auge do meu desligamento, algumas coisas me chamaram atenção:
1. No início eu realmente acreditei que não tinha vizinhos. Em dias de sol, eu podia ver pela sacada a piscina lotada (não descia porque estavamos fazendo a mudança obviamente) e a garagem com 100% de ocupação. Mas passei a acreditar que eram todos figurantes – sim, os carros e as pessoas – uma vez que NUNCA cruzava com ninguém, nem no elevador, nem no salão de jogos, nem no hall, nem em lugar nenhum. Essa situação se prolongou por meses. Nossa garagem pode simplesmente ser estacionamento de algum vallet nas redondezas, certo: Sim, é o mais provável. Sempre ouvi falar do constrangimento de encontrar pessoas no elevador, se deve cumprimentá-las, conversar ou não, mas nem essa dúvida eu podia ter, uma vez que não encontrava ninguém. Agora as coisas já mudaram um pouco, sei que tenho alguns vizinhos. Quer dizer, tenho quase certeza disso.
2. Ainda bem que mudamos para um lugar próximo de casa, porque senão, cada vez que eu voltasse meio alegre e errasse o caminho indo para o lar antigo, daria uma trabalheira voltar tudo.
3. Os avisos colocados no elevador definitivamente não foram feitos para quem mora até o segundo andar, sempre com textos longos e muita enrolação, nunca diretos na mensagem. O que eu consegui descobrir até agora sobre a utilização da piscina foi: “Senhores condôminos, para melhor aproveitamento do espaço externo dos prédios, gostaríamos de solicitar que a partir de abril…” Sobre o funcionamento dos elevadores, o que sei é que: “São Paulo, XX de maio de 2011. Caros moradores, gostaríamos de retomar algumas informações importantes em relação à utilização dos elevadores social e de serviço…” E tem um informativo que eu nem cheguei a descobrir qual era o tema: “Senhores condôminos, em virtude dos acontecimentos da última reunião de ata e de acordo com a lei número #$%¨&*(&¨%$ do código brasileiro de sei-lá-0-que, fica determinado que a a partir da data…” Sério, se eu tivesse tempo para ler contrato e coisas escritas em “advoguês”, não seria nos 20 segundos dentro do elevador. Os responsáveis pela redação desses textos deveriam fazer curso com os clientes de merchandising, que precisam passar toda a informação em 30 segundos, às vezes menos. Por isso até o momento não sei basicamente nada sobre o prédio. Talvez um dia eu resolva ir até o oitavo andar (sim esse é o último andar, apesar dos informativos paracerem ter sido feitos para um prédio de 45) e assim descubro do que se trata tanto conteúdo.
4. Quando você mora em casa e sai para beber (de carona é claro, afinal de contas você saiu para b-e-b-e-r), a volta é extremamente simples. Seus amigos te deixam na porta, você entra em casa e busca seu quarto. Quando você mora em apartamento e seus (santos) amigos te deixam na portaria, as coisas não são tão simples assim. Então aqui vão alguns conselhos básicos para os “apartamenteiros” de primeira viagem:
- Não adianta se aproximar do interfone da portaria, apertar o botão e dizer “oi, sou eu”.
- Ao entrar no prédio, façanha 2: preste atenção ao ambiente externo e se concentre em cumprimentar o porteiro de acordo com o momento correto do dia. Provavelmente estará escuro lá fora, então procure dizer “Boa noite”. Nunca “bom dia”, nem “boa tarde”, muito menos os dois na sequência. Se for uma tarefa difícil, diga apenas “oi”. Eles irão entender.
- O alarme do carro não abre a porta do elevador.
- E por mais vezes que você tenha utilizado o elevador, ele continua não sabendo em que andar você mora. Não adianta entrar nele e esperar que ele te leve ao seu apartamento. Você precisa apertar o botão do respectivo andar.
- O alarme do carro também não abre a porta do seu apartamento.
- Começar a rir no corredor ao perceber que a porta não abriu, pode assustar seus vizinhos caso eles ainda estejam acordados.
Acho que por enquanto é isso. Tem muito mais coisas para se dizer em relação a morar em um prédio, então em breve posso escrever uma “parte II”. E olha que ideia boa, vou colar esse texto no elevador! Tem quase a mesma quantidade de caracteres dos nossos avisos mesmo. =)
06/27/2011 at 7:58 pm
Adorei Cacá!!! Inclusive eu moro no oitavo andar e nunca consigo terminar de ler os informativos! Quando descobrir como fazer me avisa rsrsrs. Beijos.
06/27/2011 at 8:54 pm
Eu acho que a Canela podia ler esse texto (caso ela fosse capaz). Principalmente em relação aos vizinhos… ela acredita que o hall e a escada do prédio são uma extensão da minha casa, toda vez que alguem passa é um escandalo! rsrsrs
06/28/2011 at 11:10 am
Adoro seu jeito de escrever, leve, descontraído, direto, irônico e perspicaz Carol!!!!!!!!!!! Coisas que passam despercebidas por nós todos os dias (como o absurdo dos avisos dos elevadores), são observadas com mta inteligência por vc e seu olhar jornalístico. Continue escrevendo mais e mais. Um grande beijo.
06/28/2011 at 2:42 pm
concordo totalmente com o Antonio e tenho uma reclamação: vc não devia nos deixar sem seus textos tanto tempo assim!!!! sempre entro para ver se tem texto novo!
06/29/2011 at 11:09 am
Rs… Muito bom o texto parcera… ainda bem que eu moro em casa, se eu mudasse pra um ape eu acho que passaria pelas mesmas situações… principalmente ficar esperando que o elevador saiba onde é minha parada quando chegasse um tanto quanto embriagado… rs…
Bjos!!!
09/19/2011 at 4:31 pm
Achei um máximo sobre os figurantes, morei apenas até meus 3 anos de idade em apto mas imagino que seja verdade ao se referir sobre não ter vizinhos.
O convívio deveria ser mais próximo pela lógica (logística tb), mas não, as pessoas se recuam aos seus QG’s e por favor, não tente ser agradável no elevador com elas, se não perceberá que todas trabalham numa estação do tempo: “Nossa, esquentou hoje né!”.
Sensacional os informativos, acho inclusive que deveria ter um totem onde as pessoas que se interessasse pelo tema, pudesse levar para seu QG e le-lo tranquilamente.
A respeito de bebedeira, tenho total noção do que diz e acredito ser importante acrescentar que é preciso se certificar que o apto que entrou é realmente seu.
Tenho duas histórias, uma do meu tio bêbado que resolveu subir de escadas para o apto e entrou em um outro andares abaixo do seu. Claro que bêbado, decidiu dormir no chão da sala mesmo e os moradores percebendo que estava alcoolizado, resolveram não mexer nele até 5 horas depois, quando meu tio esboçou uma reação sóbria.
A outra é do meu avô (por parte de pai) que vinha à São Paulo de vez em quando nos visitar e errou o apto de minha avó (por parte de mãe) onde sempre pousava.
Chegou a ficar um dia inteiro no apto, achando estranho as mobílias, comidas entre outras coisas, mas não arredou-se de lá e dormiu. Só ficamos sabendo da peripécia quando chegou em casa e viu minha avó morando conosco. Ficou confuso não?! Minha avó tinha saído do apto para morar com a gente e não falamos nada ao meu avô. O zelador não barrou um Sr aparentemente sereno e inofensivo e obviamente que meu avô tinha uma cópia da chave do apto que era da minha avó.
Acredito que muitas outras histórias hilária e divertidas devem ficar residir em nossas famílias. Conte uma para nós Carol…. Um beijo. Marcus