O não-trânsito de São Paulo
12/05/2010
É isso mesmo que você acabou de ler. No famoso “horário do rush”, a cidade de São Paulo não tem trânsito. A cidade simplesmente para. A palavra trânsito significa ato de transitar, ou ainda, movimento de veículos em determinada área. Definitivamente não é o que acontece durante os horários de pico na sexta maior cidade do planeta. Então vamos combinar que “está o maior trânsito” não é uma frase para ser usada em São Paulo às 18h30. E provavelmente em horário nenhum.
Congestionamento: acúmulo de pessoas, veículos ou objetos, impedindo ou dificultando a livre circulação. Essa sim é uma ótima definição para a cidade mais populosa do Brasil. Pouco tempo atrás, a revista Time Magazine publicou uma matéria afirmando que a cidade de São Paulo tem os piores engarrafamentos do mundo. Não é preciso ser um grande estudioso no assunto para chegar a essa conclusão, basta estar na rua no horário “certo”. Com sorte, você pode ter um compromisso às 19h30, em véspera de feriado prolongado, pleno temporal de verão e participar de um recorde histórico: 293 km de congestionamento. Mas como diriam as pessoas que adoram olhar “a metade cheia do copo”, pense pelo lado positivo, você acabou de ajudar a fazer história! haha (sem ofensa aos que olham o lado cheio do copo, é apenas uma b-r-i-n-c-a-d-e-i-r-a)
Agora vamos ao que interessa, tenho duas coisas para colocar sobre o assunto. Em primeiro, a CET atrapalha o trânsito. Em segundo, algumas humildes e felizes sugestões de como reduzir esses engarrafamentos. Explico.
Ponto um. De alguma forma bizarra e incompreensível, a Companhia de Engenharia de Tráfego atrapalha, e muito, essa situação. Digo isso porque quando volto do trabalho (sim, no horário do rush) todos os dias enfrento a lentidão da cidade. E, por alguma razão, quando os semáforos estão desligados por falta de energia, o caminho flui maravilhosamente bem. Volto para casa em tempo recorde. O que isso quer dizer? Que os faróis não estão sincronizados adequadamente? Que os engenheiros de tráfego estão mais preocupados com as multas de rodízio (para pessoas que tentaram sair do “centro expandido” no horário correto mas não conseguiram por causa do c-o-n-g-e-s-t-i-o-n-a-m-e-n-t-o) do que com a engenharia de tráfego em si? Nem vou entrar aqui na discussão da indústria da multa, porque é um tema que mereceria um post inteiro a respeito.
Ponto dois. O que eu acho que poderia ser feito. Não concordo que aumentar os dias de rodízio de veículos faria alguma diferença. Nas primeiras semanas e meses, talvez. Mas logo em seguida a situação se agravaria novamente , como já vimos acontecer. Outra coisa, reduzir a venda de carros? Dificultar o financiamento? Convenhamos, essa discussão não leva a nada, isso não vai acontecer. Além do óbvio – aumentar a malha metroviária/ferroviária e melhorar as condições do transporte público – acredito que deveria haver uma mudança no pensamento geral e na forma de existir dos empregos.
Horários alternativos como das 11h às 20h, das 12h às 21h, etc. Ou, por exemplo, um rodízio diferente. Uma vez por semana, ao invés da pessoa ir trabalhar mais tarde, ela trabalharia em casa (nas profissões/cargos que permitem que isso ocorra, obviamente, vamos ter bom senso). Tenho certeza que muitas pessoas têm condições de fazer isso. Combinado com os chefes, rodízio no departamento, alguma forma de ter controle que a pessoa fez o que deveria fazer em casa – com base em resultados, é claro. Além de auxiliar o congestionamento a voltar a ser trânsito, certamente haveria mais satisfação para grande parte das pessoas, que evitariam o estresse do caminho, gastariam menos comendo fora e poderiam ter mais qualidade de vida, ao menos em 20% de seu tempo de trabalho.
Sei que isso não vai acontecer e devem achar que pirei, mas na verdade penso que o conceito e a jornada de trabalho que existem hoje faziam sentido em 1880, mas são completamente inadequados à nossa atual realidade, principalmente se levarmos em consideração a evolução tecnológica e a expansão da internet. O mundo passou por uma revolução e continuamos trabalhando como antigamente. Ninguém questiona porque assim foi ensinado por nossos pais e a eles pelos pais deles e a eles pelos pais deles. Mas não podemos continuar sem pensar no por que nosso trabalho acontece da forma como acontece.
Uma observação importante: eu não acredito nessa história de que a internet afasta as pessoas, diminui o relacionamento humano e que as pessoas deixam de aproveitar a vida. Faz isso quem quer, com ou sem internet.
Dizem que a internet “encurta distâncias” então deveríamos usar isso a nosso favor no dia a dia do trabalho e, em especial, a favor do trânsito em uma cidade que está a beira do caos. Enquanto isso não acontece, pessoal do copo-metade-cheio, vejam que legal, mais um recorde: São Paulo virou o maior estacionamento a céu aberto do mundo. E você faz parte disso, parabéns!
12/06/2010 at 3:19 pm
kkkkkkk incrível e o pior de tudo é que é verdade mesmo, as pessoas nao conseguem abrir a cabeça para novas realidades.
carol carol, pode ser texto sério, texto sentimental, texto de bagunça, pode ser o texto que for, é incrivel como vc manda bem sempre! um desperdício vc estar longe das redações. preciso comentar? rs bjs e continue escrevendo
12/06/2010 at 6:13 pm
márcio!! super obrigada pelo apoio de sempre, faz toda a diferença! mta saudade de vc!!
bjos bjos!
12/06/2010 at 4:12 pm
Muito Bem caroline!
e lembre-se Você é um escravo do trânsito!
12/06/2010 at 6:06 pm
Com Mundano nas ruas, os congestionamentos de SP são muito mais divertidos e reflexivos.
12/06/2010 at 5:06 pm
[...] This post was mentioned on Twitter by Natália Santucci and MUNDANO – SP- BRASIL, Carolina Abud. Carolina Abud said: são paulo não tem trânsito! http://migre.me/2KzAY [...]
12/06/2010 at 5:49 pm
É Carol, mas tem uma coisa. Quem reclama do trânsito, muitas vezes se esquece que é causa dele.
E a situação do transporte público, em São Paulo, é muito melhor em várias regiões em que a maioria das pessoas usa carro pq quer.
Digo isso pq vários bairros de classe média pra cima de São Paulo – especialmente nos bairros mais centrais da zona oeste e sul – são muito bem servidos pelo transporte público.
E o povo não o usa sob a desculpa de que a qualidade é ruim. É ruim na ZL, na ZOna Sul (menos central) etc. EU mesmo troquei o carro pelo metro e sou muito mais feliz agora.
12/06/2010 at 6:00 pm
Com certeza, Rafael! Por saber que também sou causadora dos congestionamentos é que tento encontrar outras alternativas para a situação.
Se tivesse metro/onibus perto de onde moro, pode ter certeza que eu faria o mesmo que vc! Alias, estamos torcendo pela ampliação da malha metroviária, grande parte do problema seria resolvida.
Bjs e obrigada
12/06/2010 at 6:36 pm
Carolzita…saudades….como a srta escreve bem,…………..parabéns…..
BJsssssssssss
12/07/2010 at 3:55 pm
Obrigada Glen! Que saudade de vc!
qdo estiver em sp me avisaaaa!!!
bjs bjs
09/19/2011 at 4:54 pm
Se tivermos como base que SP é um estacionamento a céu aberto, devo recorrer aos meus direitos trabalhistas agora mesmo, afinal, trabalho nessa cia de valet há pelo menos 16 anos parando o carro em algumas marginais e vias dessa cidade.
O fato sobre a internet merece atenção e análises distintas: isolamento, tudo by myself , romper fronteiras, facilidades…. enfim. No ponto de vista do transito, a internet no meu modesto modo de ver é algo que ajudou e vem ajudando muito. Algumas pessoas não precisam estar presencialmente na empresa a qual trabalha. O home Office é uma habilidade que se aplica para muitas áreas e acredito que dentro de alguns anos, mais empresas e pessoas aceitarão que esse modelo de trabalho é rentável, estável e menos estressante a todos.
Agora preciso ir, tenho que “ver” se acho alguma vaga até minha casa. Bjs.